Testes
Pedal Duplo Pearl Demon Drive P-3002D
Por: Ricardo Goedert
Teste publicado na Revista Batera em Junho de 2009.
Pedal Duplo Pearl Demon Drive P-3002D
Ao lançar a linha de pedais Demon Drive, a Pearl se coloca um degrau acima frente aos seus concorrentes, elevando ainda mais o nível de um verdadeiro pedal top de linha.
É com grande alegria que somos a primeira editora da américa latina e uma das primeiras do mundo e ter o privilégio de colocar as mãos neste pedal. Estamos com esta unidade de testes desde Abril de 2009, agradecemos de antemão ao nosso amigo e “oráculo” Alessandro Bisetto, gerente da Pearl para a América Latina, que nos proporcionou essa bela experiência e com toda boa vontade do mundo, nos trouxe pessoalmente esta que até então é a peça única no Brasil.
A Pearl lançou essa nova linha de pedais e a batizou com o nome de Demon Drive P-3000, nome este que não é nada santo, porém muito menos 'apológico' a ocultismos e religiões. A série é subdividida entre o modelo P-3002D para o pedal duplo e P-3000D para o single. O lançamento deste modelo deu-se em Janeiro de 2009 na NAMM Show, a mais importante feira de instrumentos musicais do mundo, realizada anualmente nas cercanias de Los Angeles nos Estados Unidos.
Mudando um pouco o foco do produto, mas não o conceito da concepção do pedal, há alguns anos conhecemos no mercado os adorados pedais da Axis Pedals. Estes pedais da Axis possuem um conceito de construção, regulagem e funcionamento diferentes dos demais. Esse tipo de pedal, sempre ofereceu o ápice em performance para quem toca muita nota, caindo como uma luva para bateristas altamente técnicos, principalmente os metaleiros. A Pearl pra não ficar fora desse "filão", muito bem construído e liderado pela Axis, decidiu entrar com o "pé na porta", revitalizando tudo e deixando a sua versão deste "filão" sem cara de protótipo. Assim como os pedais Axis, os Demon Drive são construídos em alumínio, material extremamente leve e durável. Nele encontrei toda a leveza, velocidade, praticidade e precisão que conhecemos nos pedais Axis, porém com um upgrade geral muito considerável. Eles conseguiram pegar tudo o que a Axis fez de melhor e criar em um produto reinventado e potencializado. Podemos dizer que a Pearl se inspirou muito na Axis, para produzir um pedal com a cara dela, algo novo e em outro nível técnico de construção. O que vimos em nossos testes pode ser resumido em um pedal com a praticidade, segurança e robustez característicos da Pearl, muito bem mixado com toda a leveza, inovação e resposta de um Axis.
Este pedal é tão milimetricamente chamativo e interessante, que se fôssemos destacar todos os seus pontos e detalhes, precisaríamos de uma revista toda para isto, vamos nos ater a alguns detalhes breves e mais diretos.
Começando a nossa breve destrinchada pelo pedal, de cara percebi que ele vem muito bem acondicionado em uma linda hard bag (semicase), bem parecida com a do Pearl Eliminator, com belas e discretas linhas alaranjadas. O visual do pedal como um todo é deslumbrante, não teve uma pessoa que viu esse pedal aqui no nosso showroom que não parava para olhá-lo, perguntar sobre ele, encostar e querer saber mais à respeito, realmente o visual é impactante, desde o desenho da sapata, aos batedores, o Traction Grip, o cardã, etc., ele é realmente muito bonito e bem acabado em cada milímetro de sua construção. Tudo nele é ajustável, o que pode ser um "porre" para quem não é muito engenhoso e paciente, porém mexer nele é tão fácil e prático, que até o mais impaciente como eu, irá se divertir em dar uma fuçada no pedal, é tão divertido quanto um Lego, porém tudo assimetricamente bem feito, todas as peças são perfeitamente construídas, para não se soltarem ao tocar, muito menos oferecerem folgas a curto prazo, basta apertá-lo adequadamente que tudo estará facilmente nos eixos.
Os batedores originais são em feltro, com formato redondo, porém com o formato menor do que os mais antigos. Os batedores são menores porém mais pesados e duros, produzem um impacto forte, penetrante e limpo em todas as faixas dinâmicas de execução, consegue-se leveza e punch máximo a qualquer hora e de qualquer forma. Somado ao seu bom funcionamento, não temos como deixar passar batido o visual destes batedores, são lindos, lembram um pouco uma roda de carro, o pedal todo pra falar a verdade tem as linhas que me lembram um carro Off-Road. Há também uma memória de altura em cada batedor, além da opção para comprar avulsamente os batedores de madeira, que aumentam o impacto, pressão e precisão das notas, perdendo um pouco do som aveludado, macio e profundo do batedor de feltro. Se o pedal fosse meu, eu compraria o batedor de madeira para usar do lado direito e o feltro no esquerdo, vice-versa, assim eu conseguiria uma distinção melhor entre os toques.
O cardã, eixo que liga o pedal principal ao escravo, foi batizado com nome de Z-Link. Esse cardã é disparadamente o mais bonito e moderno que já vi, o seu visual é incrível, o funcionamento excelente, muito macio, silencioso e rápido, esse cardã oferece o máximo possível de sensibilidade ao pedal escravo, quase que extinguindo um normal atraso diante do pedal principal.
Tem uma coisa que posso destacar como negativa, que é a falta de esporas para fixar o pedal com mais firmeza nos tapetes e praticáveis, tudo bem que os velcros que ficam embaixo da sapata, seguraram a onda muito bem aqui no nosso singelo carpete, porém em algumas plataformas e tapetes diferentes, as esporas poderão fazer falta.
A Pearl incluiu uma chavinha de regulagem, que fica elegantemente disposta embaixo da sapata do pedal principal, essa chave proporciona o ajuste de quase todos os pontos de regulagem do pedal, muito interessante.
A polia, eixo principal que executa e sincroniza o movimento da sapata com o batedor, é do modelo Direct Link (Direct Drive), estamos muito acostumados em ver os modelos com correntes simples ou duplas, porém aqui o modelo é o Direct Link. Eu não diria que é melhor ou pior frente ao sistema de corrente ou fita, porém para um pedal com este conceito, este é o melhor sistema de polia que poderiam escolher até agora. A diferença maior em relação a um pedal de corrente dupla, está na velocidade e silêncio, assim como o pedal de corrente tem o pró de ser mais versátil e prático para maioria dos bateristas. O sistema de polia Direct Link tem diversos ajustes, que são regulados nele mesmo ou junto à base do batedor. Tudo aqui é regulável e consegue-se alterar a forma de tocar com um breve giro em algum parafuso. O silêncio do pedal ao se tocar é impressionante, nada range, nada tem folga, tudo funciona numa simetria impressionante!
Para se tocar estilos mais “pra trás”, transformamos este pedal para a forma clássica, assun ele caiu muito bem e sem erro pra todo mundo que o testou aqui, teve amigo sambista tocando e enaltecendo o pedal, assim como baterista de Pop, de Jazz e Blues, todo mundo que tocou gostou, encaixando-se bem não apenas para os bateristas extremos, mas para músicos que tocam das mais variadas formas. Este pedal não foi feito exclusivamente para "fritadores", mas foi incumbido em proporcionar com sucesso toda a precisão de um “pedal de metal”, que se encaixa muito bem em todos os estilos.
Algumas considerações importantes: o Pedal Pearl Eliminator P-2000 não saiu de linha, ele ainda continua sendo um dos três pedais tops mais vendidos do mundo; O Demon Drive é vendido como single ou duplo; a média de valor do Demon Drive nos EUA é de US$ 690 para o duplo e US$ 350 para o single , valor similar aos Axis Longboard, cerca de 20% mais caro que o DW9000; à partir de Outubro de 2009 a importador prometeu disponibilizá-lo no Brasil.
Conclusão
Confira abaixo várias fotos e vídeos promocionais com o pedal.
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